Mito ou verdade: afinal, dependência química é hereditária?

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Ter um dependente químico na família é uma questão que afeta além do usuário de drogas e levanta o questionamento se a dependência química é hereditária. Muitos estudos são feitos por cientistas e médicos em todo o mundo para identificar o que é verdade e o que é mito na relação das drogas com a herança genética.

O tema é curioso, um tanto polêmico e muito pertinente para familiares que convivem com pessoas que usam substâncias químicas frequentemente. Confira, neste post, o que dizem as principais pesquisas sobre a questão e esclareça de vez suas dúvidas sobre uma possível predisposição genética na família relacionada ao consumo de drogas.

Então, dependência química é hereditária?

Existem estudos realizados sobre as mais diferentes drogas, seus efeitos e possíveis contribuições na composição genética de quem é dependente químico e como isso é passado para seus filhos.

Na maior parte das análises realizadas, fica evidenciada a possível predisposição hereditária à dependência química. Principalmente em pesquisas sobre drogas mais pesadas, como o crack, até as mais sociáveis, como o álcool, a genética é citada como uma possível causa para que o uso de substâncias químicas seja replicada na família. Vamos aos fatos!

Existem genes específicos para a dependência de drogas?

Em partes. Não há genes que identifiquem comprovadamente de forma única e exclusiva a dependência, mas muitos estudos giram em torno dessa temática e já estão levantando muitas hipóteses.

Em um artigo escrito pelo médico Guilherme Peres Messas, ele explica que a transmissão genética da dependência alcoólica, por exemplo, sofre impactos da personalidade e das reações aos efeitos da droga sentidas pelo indivíduo. Ou seja, é provável que o gene passe por transformações ocasionadas por outros fatores e isso se chama de desenvolvimento epigenético.

Por exemplo, se uma pessoa tem uma mutação genética que a deixe mais vulnerável ao consumo de drogas e estiver inserida em um ambiente com usuários e com relações sociais e familiares desestruturadas, a probabilidade de desenvolver a dependência é potencializada.

Nesse caso, a predisposição genética não é fator que define se a pessoa será ou não dependente químico. Mas tudo leva a crer que contribui significativamente.

O alcoolismo é uma doença de causa hereditária?

Em partes. Segundo dados apresentados por Ana Lúcia Brunialti Godards, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Minas Gerais, o álcool é a droga que, atualmente, dispõe de mais estudos que abordam esses fatores. Ainda, ela esclarece que, com base no que se tem detectado em pesquisas, 50% das chances de dependência alcoólica está relacionada à genética e 50% ao ambiente.

Sobre o álcool, o médico Guilherme Peres Messas diz que no estudo foi constatado um aumento de três a quatro vezes de casos de alcoolismo em parentes de primeiro grau de dependentes da substância.

Falando ainda sobre o álcool, a associação do consumo da substância com a hereditariedade tem espaço em pesquisas desde o final da década de 1990, o que impulsiona para que os tratamentos com dependentes tenham melhores resultados no futuro.

A dependência da cocaína, assim como a do álcool, apresenta relação com a hereditariedade?

Verdade. Uma análise desenvolvida por cientistas chineses feita com camundongos demonstrou que os animais interessados na substância química tiveram filhotes mais vulneráveis ao vício da droga.

Em humanos, outros estudos relacionam o uso da cocaína durante a gravidez com filhos que apresentam défice de atenção, hiperatividade e dificuldades em aprender. Quando o consumo é feito pelo pai, pode ocasionar ansiedade, falta de memória, além do défice de atenção, também apontado pelo uso materno.

As pesquisas têm como objetivo avaliar se a dependência química é hereditária para direcionar da melhor forma os possíveis tratamentos e medicações utilizadas nesse processo.

E o consumo de maconha, também pode ter influência hereditária?

Em partes. Na pesquisa publicada em 2016, pela revista Jama Psychiatry, foram indicados genes que facilitam a dependência de maconha e também ocasionam um tipo de transtorno, chamado de transtorno depressivo maior (TDM). Ainda, os usuários da droga apresentam maior vulnerabilidade para esquizofrenia.

Existem diferenças entre os sexos quando o assunto é dependência por fatores hereditários?

Em partes, pois essa questão está em estudo. Em uma pesquisa feita pela Universidade de Washington, foram avaliadas as características relacionadas à transmissão familiar da dependência química. Na ocasião, foram submetidos à pesquisa mais de mil dependentes químicos.

O resultado apontou que, em média, 50% dos filhos de sexo masculino e 25% do sexo feminino de pais dependentes de álcool eram viciados na mesma droga.

Existem outros fatores, além da hereditariedade, que influenciam no uso de drogas?

Verdade. A hereditariedade ainda é um assunto que está em plena discussão e pesquisa por estudiosos de diferentes países. Muitas probabilidades e testes vêm sendo feitos para que os tratamentos de dependência química sejam mais efetivos.

O histórico familiar é um ponto muito importante a ser observado quando o assunto sobre dependência química ganha espaço. A família influencia, além das possíveis questões hereditárias, na questão de como as pessoas foram criadas e o que armazenam como padrões.

A exposição em idade precoce também é um fator muito relevante para ocasionar a dependência, além dos aspectos do meio no qual o indivíduo vive. Casos que são facilmente assistidos em famílias brasileiras, como violência doméstica e desestruturação familiar, tracionam o uso de drogas.

Outro fator que não pode deixar de ser citado é o desencadeamento provocado por transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade.

Além das hipóteses sobre hereditariedade, o convívio familiar pode incentivar a dependência química?

Verdade. A questão se encaixa nos fatores ambientais quando a questão da dependência química é investigada. As correlações feitas por filhos com o prazer sentido pelos pais ao consumir drogas, como o álcool, podem ser absorvidas e encaradas como padrão de normalidade.

Vale lembrar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, em torno de 6% das mortes no mundo está relacionada, de alguma forma, ao consumo excessivo de bebida alcoólica.

Como você pode perceber, a questão se a dependência química é hereditária ou não é um tema amplamente discutido por muitos profissionais, médicos e cientistas. E os direcionamentos levam a crer que sim: existe relação entre a genética e a dependência de algumas drogas.

Ainda, é importante ressaltar que o ambiente familiar também pode influenciar no uso de substâncias, por isso um convívio saudável e harmonioso entre familiares é fundamental.

Se você quer saber mais sobre dependência química e seus fatores, entre em contato com a Viver sem Drogas e receba todas as orientações que você precisa.

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