Não existe pai ou mãe que não tenha se preocupado com a possibilidade de seu filho se envolver com o mundo das drogas. Entretanto, apesar desse temor, são poucos os pais que realmente se informam a respeito das consequências da dependência química e se sentem preparados para lidar com o problema, caso aconteça.

O papel do grupo de apoio para familiares de dependentes químicos, é de agir exatamente nesse ponto, além de ajudá-los a entenderem e buscarem os tratamentos ideais para seus entes.

O ideal é que, ao identificar um caso de uso de drogas na família, todos os seus membros passem por um apoio psicológico. É comum que as pessoas mais próximas ao usuário — especialmente a mãe — desenvolvam problemas emocionais e de saúde relacionados à situação. Por isso, é importante dar ferramentas aos familiares para que eles possam lidar com o problema de forma saudável e proativa.

O papel da família na recuperação do vício

Uma situação frequente em casos de dependência química é a chamada codependência, que se refere ao cuidado excessivo dos parentes. Em casos assim, o excesso de amor e preocupação pode ter efeitos negativos e prejudicar a recuperação do usuário, colocando parte da responsabilidade sobre seus familiares.

O que fazer, então, para ajudar um ente querido a se livrar do vício e conquistar uma vida saudável e produtiva? Abaixo, separamos algumas dicas importantes.

Atitudes que a família deve evitar

Alguns comportamentos de familiares podem prejudicar ainda mais a situação do dependente, por isso é importante entender o caso como um problema de saúde. Confira alguns erros bem comuns:

  • ignorar ou desprezar o usuário;
  • minimizar o problema e classificar o caso como uma fase difícil, mas passageira. A dependência química não tem cura, mas é possível controlá-la de uma forma bem eficiente, por meio de tratamentos específicos;
  • usar qualquer tipo de força física, violência, castigos ou coisas do gênero. Isso inclusive pode afetar e piorar o psicológico do dependente;
  • isolar o usuário do convívio social, sem que ele faça nenhum tratamento;
  • proteger demasiadamente o dependente e ajudar a comprar os entorpecentes.

Atitudes que a família deve ter para ajudar na recuperação do dependente químico

O papel dos familiares é essencial para a reabilitação do usuário de drogas. Para que tenha sucesso, os pais e parentes devem ter consciência do que realmente é a dependência química e quais os melhores caminhos para o seu tratamento. Confira algumas dicas:

  • dialogar e manter o usuário próximo à família, mostrando interesse em ajudar no problema;
  • entender e pesquisar sobre os efeitos das principais drogas utilizadas pelo dependente;
  • buscar por informações úteis de tratamentos, assim como por profissionais e clínicas especializadas;
  • se informar sobre algum grupo de apoio para familiares de dependentes químicos em sua cidade.

 

A importância dos grupos de apoio

Procurar um grupo que apoiam pais e familiares de dependentes químicos pode ser o primeiro passo para ajudar no tratamento e recuperação do usuário. Conheça alguns grupos em todo o país, como funcionam e sua importância para a família.

1. Al-Anon

Um dos grupos mais conhecidos no país, o Al-Anon tem o objetivo de ajudar parentes e amigos de alcoólicos. Não tem vínculo com religiões, movimentos políticos ou outras organizações. A participação é totalmente gratuita e anônima e o grupo sobrevive por meio de contribuições voluntárias dos seus membros.

O Al-Anon se utiliza dos mesmos princípios e valores difundidos pelos Alcoólicos Anônimos — entre eles, os Doze Passos —, oferecendo um ambiente seguro e acolhedor para orientar a família sobre como lidar com o alcoolismo e auxiliar na recuperação.

2. Alateen

Alateen é um subgrupo do Al-Anon, voltado especificamente a jovens e adolescentes que sofrem com o alcoolismo na família. Muitos desses membros buscam no grupo uma forma de ajudar pais e mães a lidar com o vício, ou simplesmente desabafar. O Alateen é organizado de forma independente, mas deve ser orientado por dois padrinhos do grupo Al-Anon.

3. Nar-Anon

O grupo de apoio Nar-Anon, voltado a parentes e amigos de dependentes químicos, tem a filosofia de que a família precisa tanto de ajuda quanto o usuário. Ao reunir pessoas que estão passando pelo mesmo problema, o grupo incentiva a troca de experiências. Dessa forma, visa melhorar o estado emocional dos participantes e seus relacionamentos familiares para auxiliar na recuperação do dependente.

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4. Amor Exigente

Amor Exigente é um grupo de apoio que se baseia em 12 princípios básicos, éticos, na pluralidade espiritual e na responsabilidade social para auxiliar as famílias a lidarem com o problema de dependência no seio familiar.

O grupo busca demonstrar aos participantes que é necessário conhecer e aceitar os próprios limites, se valorizar e se livrar do sentimento de culpa para ter condições de orientar o dependente no melhor caminho a seguir. Conheça um pouco sobre os seus principais princípios:

  • identificador: esse princípio identifica os valores, aquilo que somos e o que queremos ser. Trabalha os objetivos de cada pessoa, para que se ajudem mutuamente;
  • humanizador: os pais não são super-heróis e nem perfeitos, ao contrário, devem aceitar as limitações e perdoar sem perder a autoridade;
  • protetor: é preciso compreender que não há uma fonte ilimitada de recursos. Para isso, deve-se avaliar e conhecer os próprios limites — físicos, emocionais e econômicos — e saber que o amor, a maturidade e a disposição vencem quando se aprende a ceder e a compreender as limitações dos outros;
  • valorizador: pais e filhos não são iguais. É preciso que cada um assuma suas posições, estabelecendo normas e regras que precisam ser respeitadas para o bem de todos;
  • libertador: sem sentimento de culpa, de piedade ou de raiva, permite ser livre para agir e deixar que os outros cresçam, arcando com as consequências — boas ou más — do seu comportamento;
  • influenciador: os hábitos dos filhos afetam os pais e vice-versa. É preciso manter o equilíbrio para conduzir os relacionamentos no rumo certo;
  • preparador: é necessário se preparar, não permitir abusos e desrespeitos e cuidar para que as atitudes sejam corretas e corajosas;
  • esperançador: esse é um princípio de extrema importância para que se possa atingir os resultados desejados com a aplicação do Programa Amor-Exigente. Da crise bem administrada, surgem as possibilidades de mudanças positivas;
  • apoiador: na comunidade, as famílias precisam dar e receber apoio. Os grupos do Amor-Exigente reúnem pessoas em busca de ajuda para si mesmas e para os seus. Compartilhar experiências, informações e instruções é sempre uma troca benéfica entre indivíduos com problemas semelhantes;
  • cooperador: a família deve ser presente e participar em conjunto dos trabalhos de recuperação. Isso é essencial para a valorização e melhoria da autoestima do paciente;
  • organizador: sem organização e disciplina, surge a sensação de insegurança, o que dificulta a evolução dos processos de melhorias;
  • compensador: esse princípio se refere, basicamente, ao amor e respeito entre pais e filhos. Tais sentimentos devem orientar e educar ambas as partes. Apesar de não concordar com as atitudes erradas, é preciso compensar os erros com afeto e compaixão.

5. Projeto Ame, Mas Não Sofra

Entendendo que toda a família sofre as consequências da dependência química de um de seus membros, o grupo de apoio Ame, Mas Não Sofra é um projeto da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal. O grupo busca orientar os participantes sobre a necessidade de um tratamento adequado para recuperar o usuário.

O grupo demonstra, por exemplo, que assumir as responsabilidades do dependente — como pagar suas dívidas ou arrumar desculpas para seu comportamento — prejudica muito sua recuperação.

Participar de um grupo de apoio para familiares de dependentes químicos, que oferece acolhimento e troca de experiências entre pessoas que estão passando pelas mesmas dificuldades é uma boa maneira de aumentar a confiança e a tranquilidade dos membros. Além disso, capacita as pessoas a proporcionarem ao dependente um ambiente saudável e adequado à sua recuperação.

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